Sem dúvida, o exemplo é uma das melhores formas de influenciar alguém. E bons exemplos não faltaram na vida de Cristina Dutra de Aguiar, professora do MBA em IA e Big Data e, hoje, inspiração para muitas. A docente nasceu na cidade de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo. Segundo ela, a escolha se deu porque seus pais, Ivor Bergemann de Aguiar e Maria Helena Dutra de Aguiar, ponderaram que, por ser uma cidade maior, Ribeirão Preto oferecia melhores condições para o nascimento da filha do que Jaboticabal, cidade quase vizinha na qual moravam.
Mas a infância de Cristina se deu inteiramente em Jaboticabal, já que seu pai desenvolveu uma carreira na Unesp da cidade, onde se tornou uma referência na área de silvicultura. A docência sempre fez parte da família, já que sua mãe era professora do ensino secundário. Na cidade, Cristina viveu uma típica infância interiorana: clube aos fins de semana com o grupo de amigos e celebrações de aniversários em garagens e quintais de sua casa ou da casa de amigos, uma realidade essencialmente analógica, bastante diferente dos rumos tecnológicos que sua vida tomaria anos depois.
Os primeiros passos na pesquisa
Na escola, sempre teve afinidade com as ciências exatas e, por conta dos exemplos em casa, os estudos eram tratados com muito afinco. Quando chegou a idade de prestar vestibular, a computação começava a despontar como uma área promissora e, assim, o curso de Ciência da Computação despertou o interesse da jovem Cristina.
“A ideia de desbravar um futuro que prometia grandes avanços tecnológicos e contribuir para o desenvolvimento de novas soluções foi o que mais me motivou a escolher essa profissão”, relata.
Logo, Jaboticabal deixou de ser o cenário de sua vida quando Cristina ingressou na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). No que viria a ser conhecida como capital da tecnologia, entre as várias dificuldades que o período da faculdade pode trazer, uma não afetou a trajetória da docente. Apesar de ser um curso da área de exatas, historicamente ligado ao público masculino, ela relata que sua turma não apresentava grande disparidade de gênero. “Minha turma de graduação era composta por aproximadamente 60% de homens e 40% de mulheres”, conta.
Cristina nunca fechou os olhos para a diferença de tratamento entre homens e mulheres, mas afirma que sua dedicação aos estudos ajudou a atenuar os impactos dessas desigualdades em sua formação. Segundo ela, outro fator importante foi a presença de várias docentes ao longo de sua trajetória.
“Ter mulheres ocupando posições de destaque na docência servia como referência e contribuía para tornar o ambiente mais acolhedor, além de minimizar, em certa medida, a percepção da predominância masculina na área”, argumenta.

Mercado de trabalho x carreira acadêmica
Já no final da graduação, em meados dos anos 1990, Cristina conseguiu um estágio na Itautec, uma das maiores fabricantes de computadores e equipamentos de automação bancária do país, onde foi efetivada. Porém, mesmo com a garantia de emprego, decidiu se inscrever no processo seletivo do mestrado da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), no qual foi aprovada.
Então começou o que Cristina classifica como um dos maiores dilemas de sua vida: de um lado, uma carreira em ascensão no mercado; de outro, a possibilidade de aprofundar sua formação e seguir na pesquisa. Vale lembrar que, se hoje a carreira acadêmica é apenas uma das possibilidades após o mestrado, naquela época ela era quase um destino.
Porém, o amor pelos estudos e a fagulha da docência — que vinha de seus pais e foi reforçada por suas professoras na graduação — falaram mais alto. A escolha pela vida acadêmica foi fruto de muita reflexão, mas, hoje, olhando para trás, Cristina afirma que foi a melhor decisão que poderia ter tomado.
“Sinto-me muito satisfeita. Ao longo da minha trajetória, desenvolvi competências das quais me orgulho. A carreira acadêmica tem me proporcionado a oportunidade de investir continuamente em minha formação, produzir pesquisas sobre temas desafiadores e inovadores e manter contato constante com alunos e orientandos, que também contribuem com novas perspectivas e expectativas, enriquecendo continuamente meu trabalho”, relata a docente.
Em sua carreira na pesquisa, Cristina concentrou sua atuação na área de bancos de dados, desenvolvendo trabalhos em integração e procedência de dados, gerenciamento de dados complexos, técnicas de indexação, data warehousing, processamento analítico de dados, ciência aberta, princípios FAIR — diretrizes para gestão e publicação de dados científicos —, big data e bases de dados de grafos.

A história com o MBA
Com um currículo extenso e atuação como docente no Instituto de Ciências Matemáticas e da Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, Cristina foi convidada a participar das primeiras reuniões de concepção do curso de MBA em IA e Big Data, contribuindo para as discussões iniciais sobre sua estrutura, objetivos e direcionamentos alinhados às demandas do mercado. Atualmente, ela leciona a disciplina de Processamento Analítico de Dados em Larga Escala.
Para ela, o curso é fundamental para a formação continuada dos profissionais, especialmente em uma área caracterizada pelos constantes avanços científicos e tecnológicos.
“Um MBA proporciona uma visão mais ampla e integrada dos principais conceitos e das tecnologias emergentes, e o curso se insere exatamente nesse contexto, oferecendo uma formação sólida e atualizada em duas áreas muito relevantes da Computação: Inteligência Artificial e Big Data”, conclui.
A trajetória de Cristina reforça uma das principais características do MBA em IA e Big Data: a busca contínua por atualização e conhecimento é o que diferencia o profissional preparado para a área. E foi justamente essa busca, presente nos exemplos que a inspiraram ao longo da vida, que hoje faz dela uma inspiração para tantas outras pessoas.
Texto: Guilherme Rosa, da Fontes Comunicação Científica

