“Testar rápido, entregar valor”: egresso do MBA em IA e BigData firma convênio para levar formação à sua equipe

CEO de uma empresa de TI, André Regazzo tirou nota máxima no TCC e fechou parceria para oferecer descontos na pós-graduação a seus colaboradores

Estudar sempre foi um valor para André Regazzo. Filho de professora e cercado por uma família de educadores, ele cresceu com a ideia de que o aprendizado é um caminho natural de transformação. Essa visão o acompanha até hoje, sobretudo no setor de tecnologia, onde está à frente do Grupo Regazzo

“Na área de TI não existe outra saída: tudo muda o tempo todo, e se você não estuda, fica para trás”, afirma. Foi com esse ímpeto que, após já ter passado por diferentes especializações, ele decidiu voltar à sala de aula para concluir sua trajetória acadêmica com um título “inquestionável” e, ao mesmo tempo, se atualizar para discutir soluções de inteligência artificial (IA) com seus clientes. A escolha foi o MBA em IA e BigData do ICMC-USP, experiência que, além de muitos aprendizados, o inspirou a buscar por uma parceria para que seus colaboradores também pudessem ter acesso a essa formação.

“Os professores são brilhantes e o nível de discussão com meus colegas, das mais diversas formações, fez do MBA uma experiência transformadora”, destaca André.

Como trabalho de conclusão de curso (TCC), André apostou em uma necessidade concreta de sua empresa, ou seja, encontrar uma forma de automatizar o atendimento ao cliente e o suporte técnico quando há poucos dados, realidade bastante comum entre pequenas e médias organizações. “Todo mundo prometia milagres, mas eu precisava de critério”, recorda. Dessa inquietação surgiu o estudo Chatbots inteligentes para automatização do atendimento ao cliente: explorando diferentes métodos de implementação, orientado pelo professor Antonio Parmezan e acompanhado de perto pela coordenadora do MBA, professora Solange Rezende.

No trabalho, André desenvolveu um roteiro de decisão que pudesse servir como guia prático para gestores diante da escolha entre diferentes tecnologias. O estudo comparou três caminhos principais: o uso de APIs de grandes modelos, que disponibilizam Large Language Models (LLM) como serviço; a abordagem RAG (Retrieval-Augmented Generation), que combina busca em bases próprias com geração de linguagem; e o fine-tuning, que permite ajustar modelos com dados específicos da empresa. Para cada alternativa, ele analisou três variáveis essenciais: o custo de implementação e operação, o tempo necessário para colocar a solução em funcionamento e a qualidade das respostas geradas.

O resultado mostrou que as APIs surpreenderam pela qualidade e, sobretudo, pelo time-to-value: em apenas dois ou três dias já é possível colocar algo no ar e começar a medir resultados. O RAG se mostrou ideal para situações em que os conteúdos mudam com frequência, como catálogos e ofertas, já que mantém a base atualizada sem exigir reconstruções constantes. O fine-tuning, por sua vez, revelou-se inviável para cenários enxutos pois demanda grandes volumes de dados e alta especialização técnica, o que aumenta os riscos de resultados insatisfatórios. “Eu queria um roteiro replicável para empresas: rode este fluxo, compare com os seus números e escolha o caminho. Sem achismo”, explica André.

André Regazzo comparou diferentes métodos de implementação de chatbots em cenários em que as empresas têm poucos dados disponíveis | Imagem: Reprodução TCC 

Convênio com o MBA

A experiência no MBA também resgatou uma paixão antiga. Ao longo do curso, voltou a programar em Python e a explorar ferramentas de IA com o mesmo entusiasmo dos tempos de faculdade. “Minha esposa brincava que precisava desligar o computador da tomada, porque eu passava fins de semana inteiros programando. Foi como redescobrir um prazer antigo”, conta. Para ele, esse reencontro com a programação foi potencializado pelo ambiente do curso. “Estar cercado de pessoas brilhantes eleva a régua. Você sai das aulas querendo dar o seu melhor”, conta.

Convencido do impacto da formação, André decidiu ampliar esse benefício à sua equipe, composta por 70 pessoas. Assim como outras empresas de diferentes setores, como o Sicoob, que hoje conta com mais de 50 funcionários matriculados no curso, o Grupo Regazzo, firmou um convênio com o MBA em IA e BigData para oferecer desconto nas mensalidades dos colaboradores que desejarem cursar a especialização. “Quando percebi que poderia oferecer aos meus funcionários uma formação do nível da USP, com a qualidade e o rigor acadêmico que a instituição representa, e ainda com desconto, fiquei encantado. Cursar o MBA representa um investimento significativo, mas o modelo adotado pela USP torna tudo viável, porque não gera custos adicionais nem burocracia para o empreendedor. No Brasil, muitas vezes as empresas são travadas por barreiras legais e responsabilidades excessivas, e essa proposta rompe com isso ao facilitar o acesso à educação de alto nível”, comenta.

André defende a integração entre universidade, empresas e governo como única forma de manter o Brasil competitivo frente a potências como Estados Unidos e China. “Os valores investidos em IA são bilionários. É ilusão achar que a iniciativa privada sozinha vai dar conta. Precisamos pavimentar pontes”, reflete.

Antes do empreendedorismo, a música

André chegou a tocar na Argentina e no Paraguai com sua banda cover do Creedence e do ACDC| Imagem: Arquivo pessoal

 Antes de se dedicar integralmente ao empreendedorismo, André construiu uma carreira como músico profissional durante mais de 20 anos, passando por diversas bandas de rock. Foi nesse universo que também encontrou o amor: através de um colega de banda, conheceu aquela que se tornaria sua esposa. A relação com a música anda adormecida e seu violão segue apenas decorando a parede de seu escritório. 

“Dizem que programadores e músicos usam a mesma área do cérebro e, pela minha vivência, acredito que seja verdade. Agora que completei 50 anos, senti vontade de retomar antigos hobbies e voltar a tocar”, conta.

O caminho como empreendedor ocorreu quase por acaso, quando um  professor que lhe deu aulas no curso de engenharia de software na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), o indicou para desenvolver um projeto. Reconhecido na universidade por suas habilidades de programação, acabou transformando essa oportunidade em negócio, abrindo seu primeiro CNPJ. Há 14 anos, com a entrada de um sócio, a empresa acabou se desdobrando em outras três companhias especializadas: Regazzo Service, SmartGo e Regazzo Outsourcing.

“A Regazzo Service desenvolve soluções de TI personalizadas para empresas. A SmartGo é como um sistema de gerenciamento de armazéns e a Regazzo Outsourcing é especializada na terceirização de profissionais de TI, sobretudo desenvolvedores de software”, explica. 

Apesar de não fazer o operacional da empresa, André afirma que depois do MBA em IA e BigData se sente mais confiante de sentar na mesa para conversar e propor ideias para seus funcionários e clientes. Para ele, a lógica é simples: “Educação, educação, educação. É isso que muda a vida das pessoas e o nível das soluções que entregamos ao cliente”.

Parcerias

O MBA em IA e Big Data do ICMC-USP mantém convênios com empresas de diferentes setores, ampliando o acesso de profissionais à formação de excelência. Se a sua organização também deseja firmar parceria, entre em contato: mba.iabigdata@icmc.usp.br.

Reportagem: Gabriele Maciel, da Fontes Comunicação Científica