MBA em IA e Big Data do ICMC-USP une teoria e prática para formar profissionais preparados para as transformações da área

Com atividades práticas desde os primeiros módulos, acompanhamento individualizado e projetos voltados a problemas concretos, formação aposta na integração entre fundamentos sólidos e aplicação no mundo real

Existe uma ideia recorrente de que pós-graduação em universidades públicas traz muita teoria e que é pouco conectada às demandas do mercado. Essa mentalidade é especialmente errada no caso do MBA em Inteligência Artificial e Big Data do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da USP, que propõe o oposto. Segundo a professora Roseli Romero, vice-coordenadora do curso, a formação foi estruturada para que os alunos tenham contato com aplicações desde os primeiros módulos, e assim possam avançar até o desenvolvimento de projetos voltados a problemas reais”.

“Em cada disciplina, os alunos desenvolvem exercícios, trabalham com exemplos reais e passam por avaliações aplicadas. Tudo isso é pensado para fornecer a base necessária para que eles consigam desenvolver sistemas inteligentes de seu próprio interesse”, explica Roseli.

Dessa forma, a teoria e prática não aparecem como elementos separados, mas compõem uma proposta formatada para que os estudantes compreendam os fundamentos da inteligência artificial (IA) ao mesmo tempo em que aprendem a implementar soluções e interpretar resultados.

“O aluno que acompanha bem as aulas consegue implementar aquilo que deseja e analisar criticamente os resultados obtidos com base no conhecimento adquirido ao longo do curso”, afirma a vice-coordenadora.

O MBA em Inteligência Artificial e Big Data do ICMC-USP já formou mais de 500 profissionais de diferentes áreas, conectando teoria, prática e desenvolvimento de soluções aplicadas | Imagem: Envato

IA aplicada a problemas reais 

As atividades práticas desenvolvidas no MBA envolvem situações semelhantes às encontradas tanto na pesquisa científica quanto no mercado de trabalho. Os exemplos passam por diferentes áreas do conhecimento e setores econômicos. Na saúde, os estudantes trabalham com aplicações voltadas ao diagnóstico de doenças como câncer de mama e diabetes. Já na economia e no setor financeiro, aparecem problemas relacionados a e-commerce, sistemas de recomendação, análise do comportamento de clientes, detecção de fraude, evasão de consumidores e previsão do mercado de ações. As aplicações também se estendem ao agronegócio e ao meio ambiente, com atividades ligadas à análise de imagens de plantas, investigação de condições hídricas, análise do solo e previsão climática. 

Segundo a professora Solange Rezende, coordenadora do MBA, os estudantes utilizam ferramentas amplamente presentes no mercado e em centros de pesquisa, como Python, SQL, Oracle Database, PostgreSQL, Hadoop, Spark, Jupyter, Google Colab, TensorFlow, Keras e Docker.

“Essas linguagens, ferramentas e ambientes são utilizados em diferentes domínios de estudo dentro da Inteligência Artificial e do Big Data, como processamento de linguagem natural, mineração de texto, recuperação de imagens por conteúdo e sistemas de recomendação multimídia”, explica a professora. 

Os alunos do MBA contam com uma rede de 63 orientadores especialistas que atuam em diferentes áreas da IA e Big Data | Imagem: Reprodução do site 

Outro aspecto que diferencia o MBA é a presença de alunos vindos de áreas bastante diferentes da computação. Ao longo das edições, o curso passou a receber profissionais da saúde, administração, engenharia, educação, economia e outros campos interessados em incorporar IA ao próprio trabalho. Para garantir que esses estudantes consigam acompanhar as disciplinas e desenvolver as atividades práticas, o MBA oferece uma estrutura específica de acolhimento e nivelamento.

Entre as estratégias adotadas está um curso introdutório de lógica e programação utilizando Python, considerado uma espécie de nivelamento para quem nunca teve contato com programação. Além disso, os alunos também aprendem conceitos básicos de SQL (Structured Query Language) logo nos primeiros módulos da formação.

Segundo Roseli, a coordenação do curso tem um olhar diferenciado para esses estudantes, que são acompanhados de perto e também têm acesso a tutorias online semanais, além de atendimento individualizado quando necessário.

“Os alunos podem tirar dúvidas durante as tutorias e, quando percebemos dificuldades mais específicas, organizamos atendimentos individuais. A coordenação também acompanha o rendimento dos estudantes e conversa diretamente com eles sempre que necessário”, conta.

O TCC como espaço de aplicação prática

Embora a prática esteja presente em diferentes disciplinas, é durante o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) que os alunos têm a oportunidade de desenvolver um projeto mais aprofundado ligado ao próprio interesse profissional ou acadêmico. Ele é obrigatório, mas não configura um momento de dificuldade para os alunos, que são estimulados a construí-lo ao longo da formação dentro do chamado Módulo Soluções, conjunto de disciplinas voltadas ao desenvolvimento de projetos em IAl e Big Data.

Segundo Solange, esse processo inclui definição do problema, levantamento bibliográfico, análise de trabalhos relacionados, escolha de metodologias, implementação das soluções e discussão dos resultados.

“É nesse momento que o aluno consegue aplicar, de forma integrada, tudo o que aprendeu durante o curso”, destaca a coordenadora.

Os projetos desenvolvidos pelos estudantes revelam a diversidade de aplicações exploradas ao longo do MBA. Entre os temas já trabalhados estão ferramentas de IA para ensino personalizado, sistemas de identificação de discurso de ódio, aplicações voltadas ao diagnóstico médico e projetos que utilizam modelos de linguagem para prever falhas em projetos de software e analisar chamados de suporte técnico.

A especialista em Estratégia de Inteligência Artificial e Dados Fabiana Scupino Ribeiro, integrante da quarta turma do MBA, por exemplo, desenvolveu uma plataforma  voltada ao atendimento de populações afetadas por desastres naturais.

“Quando trouxe esse tema, ele foi prontamente abraçado. Os professores realmente me ajudaram a construir a plataforma, recomendaram ferramentas, sugeriram ideias e, principalmente, me motivaram e incentivaram durante todo o processo”, destaca.

Quem tiver curiosidade para conhecer outros projetos desenvolvidos no âmbito do MBA pode acessar a seção de egressos no site do curso e também consultar os trabalhos disponíveis na Biblioteca Digital de Trabalhos Acadêmicos da USP.

Fluxo funcional da plataforma idealizada por Fabiana Ribeiro mostra como a IA pode apoiar populações afetadas por desastres naturais | Imagem: Reprodução do TCC

Para Solange, o diferencial do MBA em IA e Big Data do ICMC-USP está justamente nesse equilíbrio entre fundamentos teóricos, acompanhamento próximo e aplicação prática. 

“O MBA é conduzido por um departamento que pesquisa, projeta e desenvolve IA desde suas bases. Isso define a profundidade da formação e a seriedade do compromisso que temos com os alunos”, garante.

As aulas da 6ª turma serão iniciadas em 4 de julho. 

Matéria: Gabriele Maciel, da Fontes Comunicação Científica