Conheça Diego Furtado, o cientista de dados que equilibra fraldas, séries temporais e deep learning

No MBA em IA e BigData da USP, o paulista de Bauru mostra como é possível traduzir algoritmos complexos em soluções reais — mesmo com gêmeas pequenas em casa e grandes ideias na cabeça

Nem todo cientista da computação começou com um computador de última geração em casa. Para Diego Furtado, professor do MBA em Inteligência Artificial e Big Data do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da USP, em São Carlos, a jornada teve início em Bauru, a poucos quilômetros. Com 37 anos, Diego construiu sua trajetória entre mudanças frequentes, desafios financeiros e um fator decisivo: o poder transformador da educação pública de qualidade.

Desde cedo, o paulista aprendeu que estabilidade nem sempre era uma opção. A cada mudança de casa, motivada por circunstâncias familiares, a prioridade era sempre a mesma: encontrar uma boa escola pública nas proximidades. E essa estratégia foi determinante.

Foi assim que surgiu a oportunidade de estudar no Colégio Técnico Industrial (CTI) da Unesp, em Bauru — um dos mais bem avaliados do país. Sem saber ao certo o que encontraria, escolheu o curso técnico de Informática mais pela qualidade do ensino médio do que por qualquer vocação precoce.

“Sempre que a gente mudava, minha mãe escolhia o novo bairro com base na escola pública mais próxima. Ela acreditava muito no poder do estudo e buscava o melhor que a gente pudesse ter”, relembra Diego.

Durante o curso técnico, Diego aprendeu a programar e descobriu um novo universo. A princípio, seu plano era simples: sair da escola e começar a trabalhar. E ele seguiu esse caminho por um tempo. Tirou carteira de moto para garantir alternativas, trabalhou como desenvolvedor web e chegou a dar aulas particulares. Ainda assim, algo dentro dele começou a apontar para outro rumo.

Diego fez Ciências da Computação no ICMC, em São Carlos, onde também completou a pós-graduação| Foto: Arquivo Pessoal

“Eu entrei muito mais pensando no ensino médio do que no técnico. Mas aprendi a programar, entendi como funcionava um computador e isso abriu minha cabeça”, admite.

Com o incentivo de colegas e professores, decidiu prestar vestibular. Passou tanto na Unesp, em Bauru, quanto na USP São Carlos. Escolheu o ICMC, e essa decisão mudaria o curso da sua vida.

Da graduação ao doutorado: uma carreira moldada por oportunidades e escolhas ousadas

Em São Carlos, Diego fez graduação em Ciências da Computação. E logo percebeu que podia ir muito além das salas de aula. Chamado para uma iniciação científica com foco em aprendizado de máquina, ele encontrou na pesquisa um caminho que unia teoria robusta e aplicações reais.

“Gostei muito do que fiz na iniciação, então fiz uma segunda. Estagiei no CPQD, em Campinas, e lá vi que para crescer eu precisaria fazer mestrado. Resolvi então voltar a São Carlos e me dedicar integralmente”, conta o bauruense.

O mestrado teve um ponto alto com o intercâmbio na Columbia University, em Nova York. No doutorado, outro passo internacional: pesquisa na University of California, em Riverside. Essas experiências ampliaram não apenas o conhecimento técnico, mas a visão de mundo.

“Fui me apaixonando pela pesquisa, mas também pela cultura da USP São Carlos. Quando terminei o doutorado, não queria sair daqui”, confessa Diego. 
Durante esse período, passou em concurso para a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), onde iniciou a carreira docente. Mas o vínculo com o ICMC falou mais alto: prestou novo concurso para a USP e, após o adiamento causado pela pandemia, retornou à casa. Nesse intervalo, tornou-se pai de gêmeas — que, por vezes, fazem parte da trilha sonora de suas aulas e entrevistas.

Diego ao lado das gêmeas Clarice e Letícia, que fazem parte da trilha sonora de suas aulas e entrevistas | Foto: Arquivo Pessoal

Entre teoria e prática: o DNA do MBA em IA e Big Data da USP

No MBA em IA e BigData, Diego Furtado ministra duas disciplinas essenciais: Redes Neurais e Deep Learning (no módulo de Fundamentação) e Inteligência Analítica usando Mineração de Textos (no módulo Avançado). Para ele, o diferencial do programa está no equilíbrio entre teoria sólida e prática de ponta.

“A prática é fundamental, mas a teoria é o que permite ao aluno se adaptar a novas tecnologias. O que a gente ensina aqui não é só ferramenta: é entendimento. E isso muda o jogo”, analisa. 

Com uma abordagem aprofundada e atualizada, Diego ajuda os alunos a compreender não apenas como usar IA, mas por que certas abordagens funcionam. Isso permite que profissionais do mercado apliquem soluções com mais autonomia, criatividade e segurança.

Pesquisador de IA com foco em dados sequenciais e aplicações reais

Diego é especialista em mineração de dados, com foco em dados sequenciais e temporais — como séries temporais e sinais digitais. Também atua em temas como pré-processamento para aprendizado de máquina, tratamento de classes desbalanceadas e classificação em fluxo de dados.

“A IA é uma ferramenta com potencial absurdo. Ela representa um salto em qualquer área: da indústria à saúde, do direito à educação. Mas para ela funcionar, você precisa de dados, e de saber como lidar com eles”, explica. 

Para Diego, “a IA não é mera moda, mas parte de uma transformação ampla que afeta todos os setores da sociedade” | Foto: Arquivo Pessoal

O foco em aplicações reais é parte do que torna seu trabalho relevante. Ele entende a IA não como moda, mas como parte de uma transformação mais ampla que afeta todos os setores da sociedade.

Um caminho que não era planejado, mas que foi feito sob medida

Curiosamente, Diego nunca teve, na infância, um plano de seguir carreira acadêmica. A decisão por Ciências da Computação veio como consequência de uma boa escolha de ensino médio. Mas bastou uma chance e o direcionamento certo para transformar um curso técnico em uma carreira internacional de impacto.

“Nunca pensei em ser professor ou pesquisador. Mas o ambiente da USP, os colegas, os desafios… fui ficando. E hoje sou muito grato por isso”, encerra.

Hoje, como professor do MBA da USP, Diego Furtado ajuda a formar uma nova geração de profissionais que irão liderar a transformação digital do país — com os pés na prática, a mente na teoria e o coração voltado à educação.

Texto: Matheus Martins Fontes, da Fontes Comunicação Científica

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