No ditado popular, a curiosidade matou o gato, mas, no caso de Jean Ponciano, docente do MBA em IA e Big Data e do Departamento de Ciências de Computação do ICMC-USP, ela foi fundamental para o nascimento de um profissional focado e com ânsia de conhecimento. Nascido e criado em Uberlândia, no estado de Minas Gerais, o filho do seu Valter e dona Idalena sempre foi curioso e, como qualquer criança da década de 1990, a tecnologia passou a se incorporar em sua vida.
Não foi de uma escolha simples que surgiu o interesse de Jean pela tecnologia: de um lado, o Playstation, videogame da Sony e aposta para um mercado em ascensão; do outro, um computador, também novidade para a época e que prometia mudar a relação entre humano e máquina. “Eu estava doido no videogame, mas, pesquisando um pouco mais, descobri que, além de jogos próprios, o computador também permitia emular o Playstation, então eu teria as duas coisas em uma”, relata.
Porém, a liberdade inicial que o dispositivo proporcionava ao jovem Jean, aos poucos foi se tornando um problema. “Perdi as contas de quantas vezes meu pai teve que mandar formatar o computador porque eu acabava excluindo algum arquivo importante, até que chegou uma hora em que ele disse ‘não dá mais’”, conta.
Segundo Jean, só lhe restavam duas opções: ou parava de fuçar, ou começava ele mesmo a consertar a máquina. Foi então que ele aprendeu a formatar o computador e começou a despertar o interesse pela área, que, anos depois, se transformaria em profissão.
Jean cursou Ciência da Computação, aproveitando a possibilidade que a própria cidade oferecia, através da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Isso fez com que o vínculo com suas raízes se fortalecesse ainda mais, porém, essa conexão nunca o impediu de buscar novos caminhos.“Sempre tive o sonho de ter um parente distante, aquele que os familiares vão visitar, agora eu sou esse parente distante”, conta.
Formado na área, Jean teve uma oportunidade no mercado de trabalho e precisou se mudar para a cidade de Indaiatuba, no interior de São Paulo, que foi essencial para se acostumar com a ideia de estar longe da cidade natal. No entanto, Jean logo migrou da indústria para a academia novamente.
Em 2014, dois anos após se formar pela UFU, retornou à universidade para o mestrado e, na sequência, ingressou no doutorado. Nesse período, começou a lecionar na instituição e o gosto pela pesquisa foi se firmando cada vez mais. Parecia que a vida estava decretada na cidade natal, mas o desejo de voar e se aprimorar falou mais alto novamente.
Com isso, o agora docente embarcou em dois pós-doutorados em instituições renomadas: primeiro na Escola de Matemática Aplicada da Fundação Getulio Vargas (FGV EMAp) e, posteriormente, no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC), na USP.

O ‘problema’ das exatas
Dentre as áreas de estudo de Jean, uma se destaca: a análise e a visualização de dados. O interesse vem de um ímpeto que, a princípio, até parece contradição. Quando pensamos nas ciências exatas, é comum associarmos a algo exato, indiscutível, um resultado e ponto final. Para Jean, porém, isso nunca foi suficiente.
“Algo que me incomodava antes de me aprofundar nessa área, era que os resultados de testes, teorias e propostas são geralmente um número ou representação numérica. Eu sentia falta de algo mais próximo de mim enquanto usuário, mais próximo do ser humano do que da máquina. E é justamente isso que a vertente da visualização de dados proporciona, poder, enquanto ator ativo do processo de exploração, entender e investigar diversos fenômenos”, argumenta.
Nesse sentido, Jean acredita que o MBA em IA e Big Data contribui ainda mais em seu desenvolvimento profissional. Em uma rápida passada pela página de docentes do curso, sua foto chama certa atenção por ele aparentar ser mais novo que seus companheiros e, para Jean, estar em um ambiente como esse, rodeado de profissionais de currículos tão destacados, representa a oportunidade de colocar em prática toda sua trajetória, ao mesmo tempo em que aprende com os colegas.
O docente define o MBA como uma oportunidade fantástica de especialização. “O MBA combina o melhor de dois mundos das áreas mais importantes hoje na computação”, afirma.
Além de docente, marido e fã de animes e mangás
Ao ser perguntado sobre as características que compõem seu lado pessoal e profissional, Jean demonstra que essas duas personalidades coabitam a mesma persona. Em seu aspecto pessoal, revela ser metódico e altamente responsável. Já no lado profissional, evidencia que busca o crescimento e a vontade de entregar o melhor sempre.

Com a colisão desses dois mundos, Jean conta que o auxílio de sua esposa, Mariana, é fundamental. Os dois se conheceram quando ele ainda estava no doutorado e hoje, ela também atua como pesquisadora, algo que fortalece o suporte mútuo entre os dois. “Ela assume esse papel de referência para que eu consiga intercalar entre o Jean professor e o Jean pessoa”, comenta.
Mas um lado que talvez os alunos não imaginam do docente é seu interesse pela cultura japonesa. Em seu tempo livre, além de viajar em família, Jean também consome animes e mangás. Para ele, seus preferidos são Fullmetal Alchemist: Brotherhood, Death Note, Shingeki no Kyojin e Samurai X, o último também pelo fato de as adaptações das páginas para as telas respeitarem o material original.
Jean Ponciano representa aquilo que o MBA em IA e Big Data sempre buscou: formar profissionais que assim como ele tem sede de conhecimento, são atentos ao mundo à sua volta e, acima de tudo, prezam pela humanidade. Para ele, uma das principais características do curso é, para além do ensino teórico, a forma de comunicar e difundir o conhecimento. “O curso oferece um ferramental necessário não só para a análise de dados – que é essencial para quem procura essa especialização – mas também para a comunicação e exposição das informações adquiridas”, finaliza.
Por: Guilherme Rosa, da Fontes Comunicação Científica


